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Terça-feira, Setembro 23, 2008

 
A Guerra do Alckmin

O Na Prática dá o serviço: Geraldo Alckmin partiu pra cima de Kassab,facilitando as coisas pra Marta e dificultando pra ele mesmo e pro Kassab e pro Serra, que queria os Demos do seu lado em 2010. Parece inevitável agora, São Paulo terá Marta 2, a revanche. Eu já havia dito o que eu pensava neste post, de quase um mês atrás, quando eu achava que ainda dava tempo de fazer alguma coisa: os dois deviam tomar um café, digamos, no Starbucks (aproveita e pede pra sentar na mesa com o Na Prática que ele sempre tem bons conselhos), combina que navalha só no segundo turno, e parte pra cima da Marta, que tem telhado de vidro. Seria sucesso garantido? É óbvio que não. Mas assim eles seguiriam o princípio de que o segundo colocado não tem que bater no terceiro colocado, mas no primeiro. Alckmin e Kassab se ofereceriam pro eleitorado como o anti-Marta, o que eu acho que seria um argumento muito mais interessante pra convencer o eleitor do Maluf a passar pra um deles. Eles se resguardariam pra um segundo turno. E Marta poderia ainda perder parte do eleitorado que pretende votar nela mas que não é fechado com o PT. Enfim, ninguém me ouve...

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Domingo, Setembro 21, 2008

 
Que seja por mim, antes que seja por outros...

Atendendo à pressão popular, aqui vão: três fotos mostrando as condições humilhantes em que me colocaram no meu primeiro apartamento em Heidelberg (aqui, aqui e aqui). Não, não se trata de uma tentativa de entender como é que Napoleão famosamente perdeu a guerra. O apartamento é mobiliado para pessoas com deficiências físicas, e toda a mobília da cozinha é da altura de uma cadeira de rodas. Como resultado, dei um mau jeito nas costas, fui pro hospital e tomei três injeções de Voltarem, nas costas! As mulheres do serviço de acomodação da universidade tiveram pena de mim, e já me moveram pra outro apartamento.

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Parabéns, doutor!!!

Ótima notícia que já deixou o dia de hoje bom (quer dizer que está fazendo sol, não está quente, e eu estou em Roma, e ainda dá pra melhorar?). Saiu o doutorado do meu amigo Na Prática. O cara estudou a transição de países socialistas para o capitalismo (ao menos foi isso o que entendi, e assim que ele me corrigir eu atualizo este post), usando uma quantidade brutal de dados estatísticos. Além de me fornecer informações vitais sobre o Leste Europeu (a quantidade de álcool na vodka é 40%, se me lembro direito), ele ainda me mostrou que estatística é coisa pra macho que entende de computador, que a política no Brasil é ainda mais complicada do que eu pensava, e que o café do Starbucks pode ser ruim, mas que não tem nada como fazer um bom amigo numa mesa do Starbucks da Borders na Magdalen Street. E ainda vimos o Quentin Skinner, o Anthony Giddens, e, vá lá, o FHC, juntos (nós, não eles), e trocamos todos eles por um café!!! E tinha a mulher que aparecia no Starbucks de vez em quando e tinha cara e cabelo de bruxa! E a chinesinha preparando café, uma gracinha!!!

Po, tirar um doutorado em Oxford não foi fácil pra nós - passamos por experiências muito semelhantes, quase simultaneamente. Foi difícil a adaptação, tomamos pés na bunda, arrumamos novas senhoras, escrevemos teses, descobrimos um novo mundo acadêmico, vimos o quanto ficamos isolados do que nossos colegas e amigos no brasil faziam, descobrimos que não estávamos tão isolados assim... enfim, foi uma vida inteira. Para mim quem resumiu tudo foi meu irmão, que disse algo como "Isso aqui é muito maneiro. Agora está difícil, mas quando acabar você vai olhar pra trás e vai se dar conta do que fez." Bom, o objetivo não é ser piegas aqui, mas a notícia do NPTO (como o Na Prática é chamado carinhosamente por seus milhares de leitores) é motivo para muitas comemorações. "Because us heroes gotta stick together", como o Papai Noel disse ao Homem Aranha...

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Sábado, Setembro 20, 2008

 
Tropa de elite

O Guardian discute a obsessão de diretores brasileiros com favelas. Enquanto isso, Manohla Dargis, do New York Times, escreve uma devastadora crítica de Tropa de Elite. A crítica é tão negativa, mas tão negativa, que eu não entendi. Mas quando eu vi o trailer feito pro lançamento americano do filme (aqui) é que eu fiquei confuso: é esse o mesmo filme que eu vi? Ou o dvd que meu irmão comprou na Carioca era o de um outro filme, com os mesmos artistas?

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A crise financeira...

...explicada para dummies:

O Tyler Cowen, do Marginal Revolution, tem excelentes links (tão bons que eu nem vou repeti-los aqui) e observações sobre a crise para aqueles que, como eu, não sabem o que está acontecendo mas estão aliviados por terem pouco dinheiro no banco e poucas dívidas (basicamente, 37 reais com a quitanda aqui da praça). A pessoa mais capacitada pra falar dos problemas financeiros curiosamente tem se dedicado a falar de seus aspectos políticos e sociais, o que provavelmente é o que realmente importa: Paul Krugman, do New York tImes.

...explicada por um dummy:
O normamente bom Biscoito Fino e a Massa repete o chavão da crítica anti-capitalista Maria da Conceição Tavares: "HAHAHA - o governo intervém, o capitalismo não funciona!!". O problema é que, como o Idelber observa, o que estão acontecendo é que as perdas estão sendo socializadas, após 8 anos de ganhos enormes no topo e nada na base, que seguiram 8 anos de ganhos enormes no topo e na base (Bush e Clinton, respectivamente). Quando Roosevelt realizou a maior intervenção de um governo na economia americana, foi precisamente para proteger o capitalismo e a economia liberal.

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Terça-feira, Setembro 16, 2008

 
De Roma

Estou aqui em Roma, onde cheguei sexta-feira à tarde, e ficarei até o dia 29. Serão 17 dias no total, bastante tempo para me fazer sentir falta de Heidelberg. Mas é bom voltar a dormir na minha cama e, mesmo tendo passado o Sábado limpando a casa e jogando muita coisa fora, e o domingo com ressaca por todo o vinho bebido no Sábado à noite, a companhia da Sra Amiano é muito apreciada.

Agora estou aqui na biblioteca da escola britânica. Ontem e hoje foram dias dedicados a reuniões com meu exorientador de doutorado, e com o pessoal da universidade de Cassino e da universidade de Roma, para discutir colaborações entre o nosso projeto e o deles. Nosso objetivo era duplo: 1. colher informações sobre o sistema de publicação de dados para nosso catálogo na internet; 2. conseguir deles autorização para usar todo o material que eles já catalogaram. O objetivo dois foi imediatamente alcançado. O número 1 é mais complicado, devido ao fato de o Bryan e eu sermos analfabetos eletrônicos. Um dia pretendo descobrir a diferença entre html e xml, mas não será nesta encarnação. Enfim.

E, para completar, estou aqui na biblioteca, exausto. Deveria estar trabalhando no meu livro, mas está impossível. Daí estar aqui escrevendo.

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Honestidade intelectual, desonestidade política

Greg Mankiw tece comentários sobre Joe Biden e suas doações para caridade. Nos últimos 10 anos, Biden nunca doou mais do que 0.5% de sua renda anual para caridade, nunca mais do que 995 dólares, o que é menos do que o americano médio. Mankiw observa que como biden concorreu para presidente duas vezes, ele devia saber que seus impostos seriam analisados por comentaristas. Biden, podemos concluir, é mais inclinado para o pão-durismo do que para o cálculo político. Isso me leva a pensar: que sem vergonha, esse Mankiw. Biden pode não dar dinheiro para a caridade. Mas já que ele é um político, seria necessário incluir na análise do seu caráter: 1. como é que ele vota quando se trata de questões sociais; 2. qual é que ele vota quando se trata de seguridade social; 3. como é que ele vota quando se trata de política fiscal. Porque se ele é um democrata de coração, ele sempre pode argumentar que não acredita em soluções privadas, e que quem tem que cuidar disso é o estado. Senão, vamos pensar: qual é o histórico de votação de McCain no que se refere aos 3 itens mencionados? Será que os últimos 8 anos de governo republicano, com desemprego em alta, crise financeira, etc etc, não fixeram mais do que qualquer outro na história recente para fazer mais americanos dependentes da caridade privada? Makiw cita sua fonte, apresenta seu c[alculo, mas o que eu gostaria de saber é: é possível ser intelectualmente honesto e politicamente desonesto? Ou as duas coisas só existem juntas?

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Sexta-feira, Setembro 12, 2008

 
Estou de partida pra Roma hoje à tarde. Faz dois meses que não apareço por lá, o maior período desde 2004. Amiano Marcelino vai checar a situação na área e enviará seus relatórios o mais frequentemente possível.

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Eleições no Rio

Bom, agora que meu candidato preferido para a prefeitura do Rio já garantiu sua eleição para prefeito do Alto Leblom, vamos ver como é que meu colega de faculdade está se saindo.

Bom, a primeira coisa da qual eu tenho que reclamar: não conheço nenhum site decente sobre a política no Rio. Pode-se argumentar que não existe política no Rio, o que é verdade, mas ainda assim, seria legal saber que algum jornalista, cientista político, estudante, qualquer um, se interessa o suficiente pela cidade ou estado pra falar de lá. Não existe - a não ser que alguém inclua aí o atual prefeito. Dito isto, vamos ao que interessa: sabatina do Globo. Molon afirma que vai concentrar a guarda municipal na prevenção ao crime, que para isso terá que desviá-los da função caça-níqueis para a campanha de filho de multar quem para em fila dupla. Manchete do Grobo: Molon quer tirar Guarda Municipal do Trânsito. Pois é. Clicando na manchete, ao menos podemos ver as propostas do candidato.

1. Tirar a organização do Carnaval da Liga das Escolas de Samba - boa idéia. Seria melhor ainda se não fosse mencionada, mas implementada a tempo do próximo carnaval. Dita agora só serve pra perder votos.

2. Concentrar Guarda Municipal na prevenção ao crime, contratar agentes de trânsito com treinamento específico. Excelente idéia, seria melhor sem o spin dado pelos repórteres do jornal sem vergonha: do jeito que ficou, parece que Alessandro vai aumentar o caos urbano, quando na verdade ele teve a dignidade de não se curvar pros motiristas de van, esse mal que grassa pela cidade.

3. Ampliar programa de médicos de família - excelente idéia, custa caro mas economiza dinheiro.

4. Contenção de favelas, ma snão remoção. Investimento em transporte público. Será que estou tendo deja vu? Qualquer estudante de segundo grau repete estas mesmas idéas. Alessandro deu aula pro segundo grau, ele devia ser capaz de pensar em algo mais sofisticado do que seus estudantes. Ou pelo menos dizer essas platitudes de maneira mais madura: "Não dá para remover as favelas de onde elas estão. São milhares de famílias, negócios, escolas, que estão ali. As pessoas precisam de dignidade para viver, e a prefeitura pode fazer muito por elas - mas não tem feito nada. Pior: só assiste a expansão de favelas, calada, assim como só assiste a especulação imobiliária desenfrada que leva à construção de casas e condomínios de luxo nas encostas e florestas da cidade. O que eu proponho é linha dura contra essa ocupação ilegal dos espaços urbanos, chega de bandalha. Precisamos criar alternativas, quebrar o cartel que controla o péssimo sistema de ônibus da cidade, acabar com a desordem das vans, deixar mais fácil pro trabahador ir pro seu trabaho, pro estudante ir pra escola, pro casal ir pra praia."

5. Transformar os moradores das favelas em parceiros, ótima idéia. O César Maia fez isso, criou uma rede de miícias que o ajudam quando tem campanha eleitoral...

6. As duas melhores idéias: usar a caixa econômica como instrumento para alavancar o mercado imobiliário popular e o PAC do transporte para criar VLT ligando o nada ao lugar nenhum, quer dizer, o Recreio à Barra. Falando sério, são boas idéias.

O problema é quando o Alessandro fala do PT. Não é nada pessoal, mas está na hora de algum petista do Rio dizer que é uma vergonha o que o PT de São Paulo faz com o resto do Brasil. Dizer que o Lula está enganado em só apoiar a Marta, que este ano o PT tem a chance de revolucionar a cidade mais bonita do Brasil (fica feio pro candidato a prefeito do Rio dizer que entende a prioridade de SP, porque é a maior cidade do Brasil - carioca não precisa ouvir isso. Parece o Joe Biden dizendo que a Hillary teria sido melhor vice-presidente...). No final, culpar o desconhecimento do público pelos baixos índices de intenção de voto me faz pensar naquee velho problema: se depois de semanas na TV o público não te conhece, é porque está na hora de sair debaixo da saia da mãe e se expor.

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Offshore driling

Não sei o que é mais perturbador: ler este post do Ezra Klein mostrando como a solução apresentada pelos Republicanos, inclusive Sarah Palin (a foca que McCain considera uma das maiores especialistas no assunto "energia" nos EUA), é inútil, ineficiente, ineficaz e suja? Ou ler que os idiotas dos democratas estão começando a apoiar esta mesma solução, depois de anos rejeitando-a como inaceitável? Tem partido que faz de tudo pra perder a razão...




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Segunda-feira, Setembro 08, 2008

 
Ler os jornais dá desânimo. A eleição nos EUA virou uma piada. Não é só que John McCain revelou-se um belo de um filho da puta, ou que a Sarah Palin parece um personagem tirado de um sketch do Monty Python, mas também o fato de que Barack Obama parece estar passando um tempo como clandestino, não se ouve nada dele ou de sua campanha. Eu sei, ele não pode se referir aos adversários como aquele velho idiota e a perua gostosa enrustida, mas pelo menos lembrar que o governo assumir banco é um claro sinal de que a receita republicana não funciona...

No Rio, meu candidato já garantiu a prefeitura do Leblon, e parece ter se contentado com isso.

A única coisa hoje em dia que não decepciona é, na minha opinião, o TGV.

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Na mosca

como sempre: o The Onion discute o grande progresso que a acusação de que Obama é um elitista representa para o movimento negro (assiata até o final para ver a chamada sobre John McCain!)


Portrayal Of Obama As Elitist Hailed As Step Forward For African Americans

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Enquanto isso, na Itália,
... o prefeito de Roma, Gianni Alemanno, solta a franga e confirma o que já se sabia, ao dizer que Mussolini foi um cara legal que cometeu erros e o fascismo não foi o mal absoluto, me lembrando porque é que eu estava a dois meses sem ler os jornais italianos. O líder da oposição toma uma medida forte e pede demissão do comitê de criação do museu da Shoah - afinal de contas, nada como enfraquecer ainda mais a criação de um museu para relembrar o holocausto num país que perdeu a memória de curto prazo como forma de atacar um fascista filho da puta.

O mundo não está bem quando a única pessoa razoável na Itália é a Madonna.

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Sexta-feira, Setembro 05, 2008

 
e por falar em livros...

...o Guardian acaba de anunciaro vencedor do troféu Diagram, prêmio dado ao livro com título mais bizarro: Greek Rural Postmen and their Cancellation Numbers (pois é, a Amazon tem), publicado pela sociedade de filatelia grega do Reino Unido (pois é, eles têm um site!!!). Eu confesso que estava torcendo por How to Avoid Huge Ships, que inclusive pode ser muito útil na próxima vez em que eu atravessar o oceano a nado. Para ver a hilária lista de concorrentes, veja aqui.

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Livros: High Fidelity, do Nick Hornby

Tyler Cowen, do Marginal Revolution, repassa a pergunta: quais foram os livros mais representativos dos anos 80 ou 90? Ele sugere American Psycho e The Bonfire of Vanities, duas boas pedidas. Os comentários do post também merecem ser lidos, têm várias sugestões, melhor do que suplemento de literatura de jornal no início do verão. A minha sugestão é High Fidelity, do Nick Hornby, porque apesar de não lidar com nenhum fato específico ele capturou as reações de um cara normal de 30 anos diante do mundo que surgiu na sua frente. O livro é tão eficaz que quando virou filme foi ambientado em Chicago, ao invés de Londres, e não perdeu nada de sua força.

Em homenagem ao livro, aqui está o verbete da Wikipedia, com algumas das listas, o link pro You Tube com cenas do fime, e o parágrafo final desta resenha no Guardian, pubicada em 1995: "Reading High Fidelity is like listening to a great single. You know it's wonderful from the minute it goes on, and as soon as it's over, you want to hear it again because it makes you feel young, and grown-up, and puts a stupid grin on your face all at the same time. If this book was a record, we would be calling it an instant classic. Because that's what it is."

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Quinta-feira, Setembro 04, 2008

 
Esdrúxulo é isso aí

Quando eu já estava ficando impressionado com as minhas viagens a lugares exóticos, como Frankenstein, Ladenburg, etc, eis que a Sra Amianho anuncia que irá a trabalho para Tashkent, capital do Uzbequistão.

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Fazendo compras

Uma coisa que me deixa mauco aqui é ir ao Supermercado. E isso não é só porque os alemães gostam de leite talhado com sabor artificial de banana e insistem em colocá-lo junto do meu querido iogurte. É também por causa da inacreditável variedade de produtos que não consigo identificar ou classificar. Meu maior problema é o suco de laranja. Eu gosto de suco de laranja no café da manhã; não me incomodo em pagar um pouco mais por um bom suco de laranja. Então, na primeira vez em que fui ao supermercado, como estava perdido, comprei três caixas de suco de laranja orgânico. 'Fruta', 'orgânico', 'natureza', 'bom suco de laranja', me pareceu a coisa mais lógica associar estas palavras. Resultado: passei dias bebendo um suco de laranja aguado e com açúcar. Depois disso descobri o Naturella, o único que é sem açúcar e sem adição de água. Esse é dos bons, mas não é orgânico. O que me leva a pensar que aqui na Alemanha ou você gosta de laranja natural ou orgânica, o que é meio confuso.

Mas meu problema com produtos naturais e orgânicos não para aí. Minha afilhada vem me visitar este final de semana, chega hoje à noite. Como ela tem 10 meses, me pediram para ir ao supermercado para ver se eles tinham papinha de bebê orgânica. Eles têm. De diversas marcas. E aí veio minha surpresa: ao menos no meu supermercado, TODAS as papinhas se declaram orgânicas. Até as da Nestlé. Isso é porque as empresas notaram que mães alemãs (e irlandesas, também...) são obcecadas com essa estória de orgânico, ou será que é porque o que eles chamam de orgânico por aqui não é o que na Inglaterra e Irlanda eles chamam de orgânico?

Ok, eu sei que esse assunto não é de mais ninguém, mas é que estou cansado das eleições americanas, e minha mente tem se desviado para assuntos menos emocionantes, do tipo... bom, do tipo que interessaria a Sarah Palin.

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Terça-feira, Setembro 02, 2008

 
Navegando pelas eleições americanas

Como andam se saindo minhas fontes de informação: quando eu quero saber o que está acontecendo no olho do furacão, o negócio é ler o The Caucus, do New York Times, que normalmente é bem informativo, traz vários links mas é meio superficial. O editor da cobertura deles, Adam Nagourney, teve um blog fenomenal na eleição de 2004, e às vezes contribui com bons artigos. Para saber o que está acontecendo mesmo, no entanto, o negócio é ler o Talking Points Memo, do Joshua Michael, o melhor blog investigativo nos EUA, e o bem informado Politico, também com bons comentaristas. Agora, se o negócio é saber como é que a direita Republicana (com alguma dignidade, porque tem coisa que não dá pra ler) está manipulando a informação, o negócio é o infame Drudge Report. Para manipulação mais à esquerda, o Huffington Post, que às vezes é divertido (o Drudge me irrita). Finalmente, para saber como um conservador que no fundo ainda é Republicano, apesar de apoiar o Obama, está reagindo a tudo isto, continuo fiel ao Andrew Sullivan, que resumiu tudo quando disse que a campanha parece ter sido tirada de um episódio de South Park. Bem mais liberal, e mais do meu gosto, The Plank, blog escrito por jornalistas da New Republic (que se não me engano foi editada por Sullivan um tempo atrás). Estes são claramente pró-Obama, mas sabem ser críticos. E finalmente, o que eu mais gosto, o Balloon Juice, o mais liberal, crítico, desbocado e descarado dos blogs inteligentes nos EUA.

Na categoria nnão é um blog, mas eu gosto, são fora de série: The Daily Show, com John Stewart, e o The Colbert Report, do Stephen Colbert.

Trabalho? Pesquisa? Ah, sim, esqueci....

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OMG, It's like, dude, she's TO-TA-LLY writing it!

O blog de Sarah Palin, minha nova musa...


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Segunda-feira, Setembro 01, 2008

 
Vladimir Putin, caçador de Tigres

O La Repubblica publicou as fotos de um tigre abatido (com um dardo sonífero, é claro! Os tempos mudam na Rússia, também!!) por V.P. O ex-presidente, atual primeiro ministro, futuro rei da Rússia salvou uma equipe de televisão quando o tigre se soltou de uma armadilha. Segundo o jornal italiano, a notícia foi destaque em todos os telejornais russos. O fato de que Putin é capaz de manejar um fuzil com destreza não deve ser mentira, nem deve surpreender ninguém. O cara é ex-agente da KGB, especialista em artes marciais, e certamente sabe usar vários tipos de armas. Se precisasse provar alguma coisa, as caçadas que ele já conduziu na Chechênia e agora na Geórgia mostram que é um homem destemido e de sangue frio. Mas o mais interessante nesse golpe ridículo de relações públicas é ver uma instância específica na qual uma determinada ideologia aparece em funcionamento, construindo a legitimidade de um governante.

Pobre Rússia, joguete de tiranos e cobaia de cientistas políticos...

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Amiano Marcelino
   
Uma etnografia dos povos barbaros