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Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008

 
Foucault na casa branca

Ontem à noite eu e a Liz assistimos ao último episódio de The West Wing. Não foi fácil: de Junho do ano passado, quando o Atli emprestou o primeiro DVD, até ontem, foram 7 temporadas com uns 22 episódios cada uma. Passamos alguns finais de semana trancados em casa, e com isso fomos capazes de ter a sensação de que entendemos o caucus em Iowa. O que eu mais gosto de WW é que a série tem, para quem gosta de política, um forte caráter inspiracional (to traduzindo inspirational, não me lembro de essa é a tradução correta). Os debates, os diálogos e a ação política, no final das contas, são centradas na idéia de como é que se faz para ter um país melhor. Em termos de televisão, Seinfeld ainda é minha série preferida, mas WW tem uma qualidade única nesse sentido.

Mas o que me chamou a atenção é que no último episódio o presidente Bartlett, vivido por Martin Sheen, está deixando a Casa Branca para o novo presidente, e a equipe encarregada de fazer a mudança aparece removendo todos os objetos pessoais do presidente da Sala Oval. Bom, a idéia é que Bartlett é um presidente do partido Democrata, economista e acadêmico, e um snob intelectual. A câmera mostra o pessoal da mudança pegando os livros na Sala Oval, dá para ver que são vários, mas o único livro que é mostrado, por um bom tempo, é do Michel Foucalt (não dá para ver o título). Eu achei isso muito estranho, porque jamais notei qualquer influência do Foucault nas discussões políticas que apareceram na TV. Uma possibilidade é que se trata de uma coincidência, a produção simplesmente queria colocar o livro de um "pensador" a vista, e pegaram esse na biblioteca do estúdio. Pode ser, mas acho difícil, numa série onde todos os detalhes são impressionantemente corretos e premeditados. Outea possibilidade é que colocar um livro de um escritor francês seria uma forma de caracterizar o Bartlett, o liberal Democrata clássico, uma espécie de John Kerry com sangue quente, ou de Al Gore com senso de humor: ele lê livros estrangeiros! Enfim, isso me faz lembrar que existem coisas piores do que ler sermões de Leão Magno.

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Tenho passado, nas últimas semanas, cada vez mais tempo na Escola Francesa de Roma. A biblioteca daqui é excelente, e apesar de eu não ter as mordomias que tenho na Escola Britânica (minha escrivaninha, meu armário, vista pro jardim, chave pra entrar no final de semana, etc), existem algumas vantagens enormes de vir trabalhar aqui. Em primeiro lugar, a sede da escola, o Palazzo Farnese: construído no século XVI, decorado por alguns dos mais importantes artistas que já pisaram em Roma, como Annibale Carraci, Vasari e Michelangelo, o palácio ainda por cima fica em uma das praças mais bonitas de Roma (a piazza Farnese). A melhor coisa de vir trablhar aqui, no entanto, é algo que não tem como explicar em português. É o fato de que aqui existe uma possibilidade muito maior de serendipity : a palavra inglesa mereceu inúmeros estudos, o mais recente do dono de minha casa, Massimo Mongai, que escreveu um livro muito simpático (e tem um site aqui) sobre o assunto. Em termos gerais, quer dizer aquela coincidência de quando você está procurando por uma coisa e acaba encontrando outra que apesar de não estar procurando você procurava mesmo sem saber.

Bibliotecas, como o Massimo lembra muito bem, são lugares com alto coeficiente de serendipity (não existe a palavra em português, os italianos usam serendipità). Porque depois de um tempo, você não procura um livro em um catálogo, mas vai diretamente ao lugar onde ele costuma ficar. Você entende a lógica da biblioteca e dos bibliotecários, e sabe onde as coisas estão, porque sabe como o conhecimento do mundo é classificado ali. Eu procuro um livro sobre senadores romanos no século IV d.C., e vejo que ao lado dele está um livro sobre propriedades rurais na Itália do século II d.C., que fala de Plínio o jovem, e me dá uma informação que se revella muito útil para algo que eu queria saber sobre o século IV. Em uma biblioteca nova isso acontece ainda mais, porque se você é curioso e está morrendo de tédio com os sermões do papa Leão Magno (daí estes posts longos hoje), qualquer coisa é uma desculpa para ficar longe da escrivaninha, e então as descobertas são ainda mais aleatórias. Mas uma hora você tem que voltar para os escritos do maior rabugento que você já leu, e precisa parar de procurar novos livros e escrever novos posts.

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Andrew Sulivan, blogs e política

Um dos meus blogs de política preferidos é o The Daily Dish, do Andrew Sullivan. O autor é um inglês que mora nos Estados Unidos, estudou em Oxford, é gay, católico, e conservador, além de grande admirador de South Park e usuário compulsivo da internet. Sullivan é um cara muito inteligente; mesmo discordando de muita coisa que ele diz, sempre tenho que pensar sobre o que ele está falando. Eu não li o seu livro sobre o moderno conservadorismo americano, The Conservative Soul. Eu não li, mas o Na Prática leu e disse que é muito bom (e escreveu uma boa crítica aqui).

O meu problema com o Sullivan é meu problema com a internet em geral, o fato de que muito do que ele diz não passa de reclamação gratuita. Um bom exemplo é este post, "Quiet out there". Sullivan compara a campanha primária do partido Democrata a um filme de horror, onde a gente tem a sensação de que está tudo bem (Obama está vencendo) mas o mal está à espreita, prestes a atacar (Hillary pode virar o jogo). A Internet é um espaço aberto, e um blog poítico é no final das contas um produto de um indivíduo com simpatias e antipatias. Mas de forma alguma um cara como o Sullivan poderia publicar algo tão gratuito e rasteiro em um jornal tipo o New York Times, o Le Monde ou o The Times (do qual ele é colunista, e dos bons). Pode-se dizer o que quiser da Hillary e do Bill Clinton, dizer que mentiram muito e vão mentir mais, que praticam nepotismo etc. Mas dizer que são O MAL é errado.

Mesmo os críticos da Hillary reconhecem que ela é uma boa senadora, uma política respeitável e que seria uma excelente presidente. Suas políticas são razoáveis na pior das hipóteses, e se ela muitas vezes parece insincera isso tem mais a ver com as peculiaridades da vida política no mundo de hoje do que com o seu caráter. A verdade é que qualquer sapo colocado no poder por um arevolução das rãs (e não estou aludindo metaforicamente ao Sarkozy e nem ao Lua) seria um melhor presidente do que o Bush. Sullivan sabe muito bem que o grande debate, a "batalha final" (para usarmos o seu tipo de linguagem) nos EUA no momento não são entre Republicanos e Democratas, mas entre um partido que foi sequestrado por fanáticos talibãs cristãos de direita e um que corre o risco de polarizar ainda mais a situação se a Hillary for escolhida. É por isso que ele, um Republicano, apóia o Obama. No final das contas, é por isso que eu também prefiro o Obama à Hillary - não tenho tanta certeza de que suas políticas são melhores, mas acho que ele pode vir a ser menos divisivo (o mesmo motivo pelo qua acho que o Aécio Neves seria uma melhor alternativa do que o Serra: o Brasil não precisa continuar vivendo entre Lula e FHC).

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Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008

 
Patrocínio do Google

A casa do presidente italiano é o Palazzo del Quirinale

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Segue abaixo cópia da crta enviada por uma estudante de física da USP que foi parada pela imigração espanhola no aeroporto de Barajas, em Madri, e ficou encarcerada por três dias em condições inaceitáveis. Ela estava indo para um congresso em Lisboa, e trazia vários documentos. Eu reproduzo a carta por dois motivos: porque ela ilustra bem o quanto a Espanha do Zapateiro merece ser a queridinha do neo-socialismo europeu (muito bom para quem não é africano ou latino americano), porque ilustra a merda de serviço que o Itamaraty presta à popuação brasileira, e porque ela merece todo tipo de apoio, mesmo que seja virtual.

Eu cheguei a esta carta através do blog do Nassif, e ela foi originallmente publicada no blog da Daniela Alves, Base de dados sobre o tráfico da vida humana.

"Meu nome é Patrícia Camargo Magalhães, tenho 23 anos e sou mestranda em física na USP. Dia 9 de fevereiro embarquei no vôo IB6820 saindo de Cumbica (Guarulhos) com destino a Madrid, local em que faria escala e seguiria ao destino final: Lisboa. Em Lisboa iria apresentar meu trabalho de pesquisa na conferência Scadron70, que começou dia 11/02 e termina 16/02. No entanto, a falta de documentos em mãos que provassem a minha estadia em Lisboa fez com que ficasse retida na aduana, sobre a desculpa inicial de verificação da quantidade de dinheiro que eu carregava. Ainda sem entender ao certo o que estava acontecendo, me dirigi ao local indicado e esperei ser chamada.

Cheguei ao aeroporto de Madrid 9h30 da manha de domingo. Ás 13h30 ainda esperava que alguém viesse falar comigo. Por diversas vezes ressaltei delicadamente à polícia que perderia a conexão para Lisboa. A resposta era sempre a mesma: “Senta-te, espera, si perdes el vuelo después te darán otro”.

Finalmente (após quatro horas esperando sem saber o que poderia acontecer), um policial apareceu com um pilha de passaportes nas mãos e foi chamando os brasileiros que iam então sendo liberados. E então percebi que todos os homens tinham sido liberados e só restaram as mulheres, em sua maioria negras e mulatas. Quando, depois de 5 horas de espera, chegou um outro avião da Venezuela, muitas outras mulheres se juntaram a nós e fomos todas levadas para o outro aeroporto onde ficaríamos presas por 3 dias até sermos enviadas de volta, na manhã desta terça-feira (12) às 11h35, no vôo IB6821.

Presa em situação parecida comigo, Camille Gavazza Alves, baiana de 34 anos, estava indo estudar inglês em Dublin, Irlanda. Tem um trabalho fixo na Companhia Petrobrás e havia conseguido uma licença de seis meses para freqüentar o curso. Possuía toda a documentação necessária para provar o motivo da viagem e foi deportada pelo governo espanhol sob a acusação de não conseguir provar os motivos – a mesma razão que alegaram para o meu caso.

Como nós, havia outras mulheres em situação parecida. Nádia, funcionária pública em Maringá (PR), pretendia visitar sua filha durante seu mês de férias. A filha de Nádia vive legalmente na Espanha há um ano e meio e seria a primeira visita da mãe à Madrid.

Ficamos presos no último andar do aeroporto, sem comunicação alguma com o mundo exterior a não ser por um telefone público para o qual era preciso comprar cartão. Éramos homens e mulheres de diversas nacionalidades, todos latinos e alguns africanos, ao todo mais de cem pessoas. O consulado brasileiro na Espanha foi acionado por nós e pelo Brasil, diversas vezes e por muitas pessoas diferentes, e nada fez frente ao nosso chamado de socorro. Nem ao menos respondeu nossas ligações.

Do telefone público da sala, mobilizei amigos que já estavam no congresso em Lisboa e família no Brasil, para que me mandassem provas de que eu estava devidamente inscrita no congresso e possuía reserva no hotel para o período do congresso.

As 14h30 da segunda-feira (11), por fim fui chamada para uma entrevista com a polícia, um advogado e um intérprete. A entrevista durou até em torno de 16h e foi a primeira vez, desde domingo de manhã, que fui ouvida pelas autoridades espanholas. Ao final, li meu depoimento cuidadosamente e por duas vezes pedi que ele fosse corrigido. Nele constava minha profissão, o valor da bolsa de mestrado, o motivo da viagem, a quantidade de dinheiro que eu levava, provas materiais como a cópia do meu pôster de apresentação, a capa de um artigo científico que levava meu nome, além de telefones de muitas pessoas e lugares em Lisboa que poderiam comprovar tudo.

Porém, de nada adiantou tudo isso. Nenhum telefonema foi dado, a minha carta estava pronta antes mesmo de terminar a entrevista (o horário do documento é 14h). Quando questionei a polícia a esse respeito, os agentes disseram que nada poderiam fazer e que quem decidia sobre quem seria enviado de volta ou aceito era o chefe da polícia. Perguntei: “Mas onde está o chefe da polícia?” e pedi que especificassem quais documentos faltavam. Fui ignorada. Não assinei a carta de expulsão.

Não levaram em consideração minhas explicações em momento algum. Me deixaram presa em um cárcere sem grades mas com regras. Fui privada da minha liberdade e de meus objetos de higiene pessoal – não pude ficar nem com minha escova de dente, pílula, ou qualquer outro artigo de higiene. Tampouco aceitaram os documentos e comprovações enviados por fax ou ligaram para os telefones fornecidos por mim para confirmar as informações. Fizeram a carta de expulsão antes mesmo de me ouvir quando pude falar.

Sobre as instalações do cárcere só tenho a dizer que se tratava de um ambiente degradante. No primeiro dia, não havia lugar para todos sentarem e tive que ficar uma boa parte do dia sentada no chão, inclusive na hora do almoço. Na janta, fazia frio não queria comer no chão, então fui comer sentada na bancada do banheiro.

Isso tudo é uma clara demonstração de preconceito social e sexual, e ainda uma violação clara dos Direitos Humanos e do Tratado de Fronteiras Shengen, do qual eles mesmos se utilizaram para me colocar fora de seu país. O próprio advogado presente na minha entrevista ficou irritado com a má-vontade em ouvir as pessoas entrevistadas.

Algo deve ser feito. O governo brasileiro não pode permitir que seus compatriotas sejam tratados de forma degradante. De minha parte, estou me informando para entrar com um processo contra o governo espanhol, via Itamaraty ou diretamente na corte espanhola (com o advogado que me acompanhou na entrevista) para reembolso da passagem e danos morais. No Brasil, vou processar o serviço consular brasileiro na Espanha – que não fez o seu trabalho.

Estou à disposição para outros esclarecimentos.

Atenciosamente,

Patrícia Camargo Magalhães"

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Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008

 
Se eu disser que este é um vídeo lega ninguém assiste, então...

Trailer do Novo Indiana Jones
Com pelo menos uma gag visual brilhante


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Tem atualização no Antiguidades Romanas!

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Segunda-feira, Fevereiro 11, 2008

 
Roma em 3 dias

Meu primo escreveu dizendo que uns amigos visitarão Roma e ficarão 3 dias, e pediu sugestões do que fazer. Eu fiz um itinerário, e como a maior parte dos leitores que vêm aqui está procurando este tipo de informação, aqui vai. Uma coisa: não adianta visitar Roma na época da Páscoa ou de outros feriados católicos importantes.

Dia 1
* Basílica de São Pedro
* Museu do Vaticano
Dá para passar a manhã nestes dois, de lá andar até o Castel Sant'Angelo, pra ver mas não entrar, é caro e não vale tanto a pena.
De lá, visitar a Piazza Navona (atravessa o rio, e uma rua bonita que vai até lá é a via del Governo Vecchio)
Nas proximidades de Piazza Navona existem algumas igrejas muito bonitas, vale a pena visitar:
* S. Agostino
* S. Luigi dei Francesi
Eu sugiro descer rumo ao Sul da cidade, visitar o Campo dei Fiori, o Gueto Judaico, e a ilha Tiberina, que fica no meio do tibre.
Caso ainda haja energia, minha sugestão é terminar o dia explorando o Trastevere, o "outro lado do Tibre", uma área bem legal, com igrejas bonitas, praças bonitas e bons restaurantes a baixo preço.

Dia 2
*Forum Romano
*Palatino
*Coliseu
A entrada para o Palatino e o Coliseu custa 11 euros, comprar na entrada do Palatino na via di San Gregorio, entre o Arco de Constantino e o Circo Maximo. As filas aí são menores, e vale a pena visitar o Palatino mesmo que seja rápido, aí ficava o palácio imperial e daí se tem vistas espetaculares da cidade (tanto ao Sul, sobre o Circo Máximo quanto ao Norte, sobre o Forum Romano).
Minha sugestão daí é visitar o museu do Capitólio: vale a pena ir até esta praça mesmo que não se queria ir ao museu, pois a praça foi desenhada pelo Michelangelo, e é uma obra prima.
Tem duas igrejas que vale a pena visitar nesta área:
*a de São Clemente, na via di San Giovanni, onde se pode visitar três "níveis" da cidade: um edifício antigo, a igreja cristã construída em cima dele, e a igreja medieval que dá para a rua.
* a igreja de San Pietro in Vincoli, perto da via Cavour, onde está a estátua Moisés, do Michelangelo.

Dia 3
Neste dia, recomendo ficar na área ao redor da via del Corso.
* Piazza del Popolo - visitar a igreja de S. Maria del Popolo, onde tem 3 quadros do Caravaggio
* Piazza di Spagna, onde fica a famosa escadaria, e onde ficam todas as lojas de grife em Roma, o lugar é muito bonito.
*Fontana di Trevi
* aí atravessa para o outro lado da via del Corso, para ver a coluna de Marco Aurélio
* visitar a Igreja de Santo Inácio, que é espetacular
* Visitar o Pantheon, o único templo romano que sobreviveu

Eu ainda recomendaria, se der tempo e vontade:
* a igreja de Santa Maria Maggiore
* as termas de Caracala
* a Galeria Borghese
* o museu da Ara Pacis, talvez a escultura mais importante a sobreviver da antiguidade

Para comer, o que eles não pode ser perdido:
*tomar café no café de Santo Eustachio, na praça do mesmo nome, perto da piazza Navona, é o melhor de Roma.
* sorvete, tem dois lugares: Il Gelato di San Crispino, na via della Panetteria, perto da fontana di Trevi. E o Giolitti, na via uffici del vicario, perto da piazza di montecitorio e da via del corso. San Crispino é mais chique, e o sorvete é melhor e mais natural, prove o de mel ou de maçã - os sabores mudam conforme a estação. Giolitti é o meu preferido, porque é mais cremoso e o chocolate de lá arrebenta.
* pizza: tem milhares. Eu gosto de uma que fica no viale trastevere, perto do McDonald's, a pizzeria Montecarlo, no vicolo savelli, perto da piazza navona e do corso vittorio emanuelle e a minha preferida, Remo, na área do Testaccio, na praça de Santa Maria Liberatrice.
* onde comer: a regra de ouro é, evitar os lugares mais turísticos. Comer na frente do Pantheon, Coliseu ou na piazza Navona é furada. Aqui vão algumas dicas

- I Clementini, via di San Giovanni in Laterano, em frente à igreja de São CLemente, fazem excelente pasta (eu gosto da mattriciana)
- Dell'Archetto, na via dell'Archetto, perto da fontana de Trevi. São especializados em massas, tem uns 200 tipos, mas tb fazem boa pizza.
- Al Pompiere - esse é excelente, vale muito à pena, mas não é uma pechincha (não chega a ser caro). A comida é espetacuar, pode comer qualquer coisa. As massas são boas o peixe e a carne tb.


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Roma: o que fazer

Semana passada trabalhei dando umas palestras para um grupo de 280 pessoas, na maioria ingleses, que vieram a Roma para um festival de música barroca. É claro que não falei nem de música e nem do barroco romano, pois sou um ignorante nestas áreas, mas estava decidido a aproveitar a aoportunidade e aprender alguma coisa. Fracassei miseravelmente, não tive tempo de fazer muita coisa porque estava sempre ocupado, mas acabei tendo tempo de assistir na sexta à noite a um concerto de Handel, a Ressurreição. O concerto foi espetacular (apesar de a estória ser conhecida: mostra Madalena e são João Evangelista nos momentos que antecederam a ressurreição de Jesus, com uma participação especial do capeta).

O que foi espetacular mesmo foi que o concerto foi apresentado no palácio Colonna, ums dos mais espetaculares edifícios de Roma. A família Colonna é proprietária de um palácio nesta área desde a Idade Média, e no século XVII começaram a refazer o palácio de uma maneira extremamente grandiosa. O concerto aconteceu na mais espetacular sala construída na época em Roma (foto aqui), uma coisa que já seria difícil numa época de tantos edifícios espetaculares, mas ainda mais impressionante porque a sala não pertence à Igreja católica. O teto é a coisa mais espetacular, mostrando uma série de imagens relacionadas à vitória de Marco Antônio Colonna II na batalha de Lepanto em 1571.

Para quem está em Roma num sábado é possível visitar o palácio, aberto das 09:00 às 13:00 horas (fechado em Agosto). Maiores informações aqui.

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Revistas, jornais, e jornalismo

O Luis Nassif está publicando uma série de posts (não chegam a ser reportagens) sobre a história da decadência e queda da Veja. Os posts são bem interessantes, e o assunto é fascinante: como uma revista que era razoável tornou-se ilegível. Da última vez que estive no Brasil tive dificuldades em ler a Veja, foi a semana em que o Senado rejeitou a CPMF, e a impressão que se tinha era dupla: finalmente o Brasil vai para frente; e agora o governo Lula cai. Ou seja, loucura.

O problema com os posts do Nassif, ele mesmo um excelente jornalista, é que eles não tocam no problema mais óbvio (e assustador), a queda generalizada de qualidade da imprensa brasileira. Bom, antes de mais nada, devo deixar claro, eu não leio os jornais de outros estados que não o Rio, e por isso não quero generalizar. Mas a minha impressão é que há bastante tempo o nível das reportagens e dos jornalistas tem caído brutalmente. O que se vê é interpretação da notícia apresentada como fato, manchete defendendo interesse político e econômico, etc. Isso não se resume à imprensa "de direita": basta ler o Conversa Afiada para ver como vacas sagradas do jornalismo brasileiro têm se comportado à esquerda.

Um problema grave é o fato de que no Brasil o jornalismo é uma profissão autônoma. Ou seja, às vezes é regulamentado, às vezes não é (a lei tem ido e vindo nos últimos anos), mas a maioria dos jornalistas estuda em Facudades de Jornalismo e são assim imbuídos do ethos jornalístico. O problema é que aquilo que faz o jornalismo específico pode até ser ensinado na Faculdade (como diagramar, técnicas de edição de texto, etc), mas o que faz o jornalismo relevante não pode. Economia, política, filosofia, cultura, sociologia, história, geografia, etc. É dureza ler um texto no qua o autor não consegue distinguir o que é um fato de uma interpretação x, e de uma outra interpretação y. O governo decide algo que vai afetar a economia (reduzir um imposto sobre a exportação de carne bovina), o que o ministro diz é elevado a status de fato (governo aumentará exportação de carne nos próximos anos), e a oposição raivosa é tratada da mesma forma (o governo deveria preocupar-se com o deficit). Bom, um jornalista deveria saber a diferença entre estes diversos níveis de realidade, e tratá-los de acordo. Mas não é isso o que acontece, e a capa da VEJA sobre a CPMF foi um caso clássico, parece ter sido escrita pelo Rodrigo Maia (o pior é a qualidade dos intérpretes).

Mas não se trata só deste problema. A associação de revistas e jornais brasileiros com gente como Daniel Dantas, Nelson Tanure, etc etc, é ainda mais complicada. Minha impressão é que os jornais brasileiros seguem um modelo errado de negócio, não se sustentando nos seus leitores, mas nos assuntos de suas notícias. É Serra pra cá, é ataque ao Tanure pra lá, é notinha plantada pelo Dirceu, etc. O que mantém parte da imprensa brasileira viva não é o mercado consumidor, mas a publicidade. Não existe a menor possibilidade disso dar certo e de algum dia termos uma imprensa confiável. A explicação do mercado não dá conta de todas as situações: a Folha parece vender muito, e se a VEJA não conseguir viver de sua circulação (apesar de que o número de anúncios sugere algo nesse sentido), bom então não sei quem consegue. Mas a falta de um mercado consumidor ajuda a entender até mesmo estes casos: não tem como o JB concorrer com o Globo, ou da Carta Capital concorrer com a Veja (para esclarecer, eu não gosto nem do JB nem da Carta Capital).

Triste ainda é abrir a página do Globo na internet, clicar na área de "Cultura" e ver notícias sobre a Britney Spears ou o Big Brother.

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Sábado, Fevereiro 02, 2008

 
Para quem diz que rap não pode ser bom


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She's Fuc*&^%%ing Matt Damon

Esse video é muito legal


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Amiano Marcelino
   
Uma etnografia dos povos barbaros