Estou saindo da biblioteca neste minuto, vou encontrar a Liz e os pais dela. A familia dela veio visitar-nos - entenda-se: irma, sobrinha, pai, e mae. O pai e a mae estao em um apartamento que eles descobriram, o aluguel e bem barato. A irma e a sobrinha estao conosco, e a primeira vez que elas vem nos visitar em Roma.
E curioso ter um bebe em casa (a Clodagh - equivalente irlandes de Claudia) tem um ano, e ja anda e esta comecando a falar. E como anda e fala! A Liz definiu Clodagh-free zones na casa, basicamente a casa toda, pois a mobilia e tao velha que ela tem medo de alguma coisa cair em cima dela. Eu confesso que a principio fui contra a ideia, mas foi so a Liz mostrar meus livros pra Clodagh e os olhos dela se iluminarem que eu concordei rapidamente.
Isso em parte se deve ao fato de que esta semana eu recebi minha primeira compra no Ebay, a primeira edicao (de 1893) de Ancient Rome in the Light of Recent Discoveries, de Rodolfo Lanciani. O livro foi uma pechincha, 18 libras (nao vale converter para reais), muito mais barato do que um livro novo. Ok, mesmo preco de um livro novo. Lanciani e meu arqueologo preferido (o quoficiente de nerd acaba de atingir um ponto maximo!), viveu no final do seculo XIX e inicio do XX, e assistiu a transformacao de Roma em uma cidade moderna. Nesse meio tempo, esteve a frente das principais excavacoes arqueologicas da cidade (o periodo de maior atividade em qualquer lugar do mundo), e suas publicacoes sao espetaculares - normalmente em ingles (!!!).
Lanciani foi "aposentado" da superintendencia arqueologica quando descobriram que ele "assessorava" colecionadores de arte americanos e ingleses (tai por que ele escrevia em ingles?), e acabou dando aula na universidade de Roma, La Sapienza. Ao inves de parar de produir, no entanto, esta e a melhor fase de sua producao: quando ele organizou a Forma Urbis de Roma, um mapa em escala monumental, com planta da cidade moderna (em vermelho claro), da cidade barroca/medieval, e de todas as ruinas conhecidas na epoca, atraves de excavacoes e/ou descricoes antigas. Um espetaculo. Ele tambem produziu a Storia degli Scavi di Roma, uma monumental colecao (7 volumes) reunindo todos os documentos com referencias a excavacoes realizadas em Roma entre 1000 e 1850 d.C.
Hoje fui visitar um complexo que normalmente fica fechado para turistas em Roma. Trata-se da insula romana que fica na rua de San Paolo alla Regola. O complexo foi excavado no inicio dos anos 80, quando o governo de Roma resolveu fazer obras em um edificio que, pensava-se, era do renascimento. Descobriu-se, entao, que abaixo do edificio existiam 9 metros de edificios romanos, um armazem e um predio de apartamentos (a insula, apesar de hoje em dia nem todos os estudiosos concordarem com esse tipo de nome), construidos por volta de 90 d.C.
Ou seja, durante 500 anos mais ou menos, romanos viveram em um edificio que consistia na parte superior de um edificio romano do inicio do imperio, quando esta parte do Campo de Marte passou por uma rapida urbanizacao. Hoje em dia funcionam uma biblioteca e uma escola de restauro de obras de arte, na parte "moderna" do edificio, e a parte antiga so e aberta a pedidos. Infelizmente, como eu estava trabalhando de guia, acabei nao trazendo minha camera, e nao tenho fotos pra postar. Quem quiser mais informacoes pode procurar aqui.
Uma coisa horrivel em Roma e como tem pixador nesta cidade. E muito, mas muito mais do que nas outras cidades europeias onde eu estive. E isso ate mesmo no centro historico! Normalmente e aquele lixo, mas as vezes fica tao bonito que eu acho que o grafite foi feito em acordo com a prefeitura - como nesse caso, onde alguem pintou a loba nas margens do rio Tibre, criando um efeito espetacular. O detalhe e que eu nunca tinha notado ate o dia em que estava passando ali com a Lizzie e tiramos esta foto.
Bom, eu vi que o Globo tambem deu a noticia do declinio e queda de Cosmo Kramer. Kramer era um dos meus personagens favoritos no Seinfeld, mas o ator que o interpreta perdeu a cabeca durante uma apresentacao e comecou a insultar espectadores que o assistiam, fazendo comentarios extremamente racistas. Uma merda. O New York Times tem uma reportagem sobre como o Seinfeld tentou ajudar Richards convidando-o para participar de uma entrevista no programa do David Letterman - o video pode ser encontrado no You Tube.
O Lula andou dizendo que os governos anteriores trataram os produtores de alcool (leia-se: usineiros) como prostitutas. Bom, considerando-se que por anos a fio usineiros usaram e abusaram de espetar suas dividas no tesouro nacional, de usar mao de obra barata, pessimas condicoes de trabalho etcetc, talvez o presidente tenha razao: nao sao prostitutas, mas filhos da puta mesmo.
Pergunta: estou pensando em mudar o servidor deste blog pro blogger (eu uso o grobo). Assim acho que vai ficar mais facil colocar imagens, etc. Alguma sugestao?
Dureza e ver a oposicao, duas semanas de perder uma eleicao na qual ficou chamando o Lula de populista e o Bolsa Familia de um paliativo, aprovar 13o salario para este programa.
Eu e a Liz fomos visitar Herculano, uma das cidades destruidas pelo Vesuvio em 79 d.C. A visita foi espetacular: as ruinas (foto!)sao muito bem preservadas, especialmente os milhares de afrescos (aqui!), belissimos. Uma vista espetacular e de quanto a cidade foi excavada desde o seculo XVIII, quando foi descoberta (foto aqui: mas preste atencao, porque ao fundo esta a cidade moderna). A coisa mais impressionante, pra mim, foi ver a parte que foi excavada recentemente, vamos dizer assim, o terraco que foi construido a beira-mar. Ai da pra ver a montanha de lava que ainda existe, o mar, e a cidade, numa mesma panoramica (aqui). Foi nesse lugar que arqueologos descobriram centenas de cadaveres, provavelmente de pessoas que esperavam ajuda vindo do mar - infelizmente nao me deixaram ver o lugar onde os esqueletos sao conservados, mas um dia volto la e dou uma olhada!
Tentei fazer um teste, seguindo as instrucoes de minha prima computadorizada/internetizada, mas nao deu certo. Amiano nasceu pra viver na Antiguidade mesmo.
Um dos grandes simbolos de Roma e a Loba. No museum do Capitolio existe a mais famosa representacao dela, uma estatua de bronze que por seculos foi considerada um exemplo de arte etrusca. Agora, no entanto, essa identificacao esta sendo questionada. Adriano La Regina, arqueologo, ex-diretor da superintendencia de arqueologia de Roma, publicou um artigo no La Repubblica (em italiano), identificando-a como uma obra medieval. Os argumentos sao tecnicos, a tecnica usada na fundicao da estatua. Mas e dificil saber. Eu, pessoalmente, espero que ele esteja errado - e muito mais legal ver uma estatua de 490 a.C. do que de 900 d.C. - o que tambem nao e de todo mal.
Ah, eu sei que ja falei disso, mas eu tenho colocado um monte de fotos no Flickr. Esta bem legal. Tem ate uma foto mais antiga, do inicio de 2006, que eu coloquei la pro presidente!
Uma coisa que eu sempre quis fazer foi subir ate o topo do Vesuvio, o vulcao que destruiu Pompeia e Herculano em 79 d.C. Valeu a pena, e eu recomedo a quem vier a Italia no futuro. E cansativo, mas se voce esta em Napoles, da pra combinar uma manha no Vesuvio e uma tarde em Herculano.
A ultima erupcao do vesuvio foi em 1944. Eu nao sabia disso, e fiquei surpreso quando percebi que toda a area ao redor do vulcao e coberta de lava - da pra ver nessa foto. O Vesuvio ainda esta ativo, eu ja tinha lido isso. Mas muito mais maneiro foi ver a fumaca que ainda sai de la (aqui).
Hoje na coluna do Pedro Doria tem uma analise interessante sobre o Afeganistao. Ele lembra, seguindo a The Economist, que os Afgaos (ou sera Afegaos?) foram invadidos por diversas superpotencias, de Alexandre o Grande a Inglaterra do seculo XIX, e sempre sobreviveram. Porque eles sao adaptados aquele tipo de vida, porque conhecem aquelas cavernas, etc. Ou seja, eles sempre vencem no final. E diz que o Ocidente nao pode vencer pela forca, precisa dar dinheiro, construir cidades etc.
Bom, eu discordo desta analise porque ela parte de uma confusao conceitual. Ela nao e realista, mas relativista. Ela parte do principio de que os parametros a serem utilizados para julgar o sucesso da invasao devem ser os parametros dos que foram invadidos. Veja bem, o realismo nas relacoes internacionais e uma corrente de pensamento que enfatiza a importancia das condicoes objetivas, concretas. Nao apenas as condicoes temporarias, as circunstancias de um conflito, mas tambem as correlacoes de forca que dao forma a estas circunstancias. Enfim, o fato de que Alexandre o Grande e a Rainha Vitoria e Bush invadiram o Afeganistao mostra que invadir nao e tao dificil assim. O fato de que eles sairam nao significa que os afegaos foram derrotados - o lugar sempre foi uma merda e continuara uma merda, porque e sufocado por super-potencias regionais, por interesses economicos estrangeiros (hoje em dia o trafico de drogas) e por ideologias estrangeiras (hoje em dia o talebanismo, etapa superior do barbarismo). Como a reportagem da Economist mostra, a invasao ocidental trouxe grandes progressos - alem de muitas tragedias.
Realismo neste caso nao e construir cidades e escolas (estas seriam alvos para o Taleban, e tenho minhas duvidas do quanto seriam aceitas e incorporadas pela populacao como forma de vida). Realismo e fazer isso sim, mas tambem colocar o Paquistao na mesa de negociacoes, puxar a orelha da China, mandar muito mais tropas para la, comprar algumas chefias e enche-las de dinheiro, e dar um fim ao Taleban. Ou seja, sujar as maos.
Outro aspecto onde a diferenca entre o brasileiro/a e o italiano/a e forte e na academia de ginastica. Atendendo a pedidos, comecei a frequentar uma aqui perto de casa. Muito boa, muito moderna mesmo. Pra minha agradavel surpresa, alem daqueles italianos/as super sarados, tem tambem gente normal, que vem do trabalho, ou seja, nao e um ambiente totalmente hostil a uma pessoa como eu, que acho musculacao uma coisa meio estranha (suando, sentindo dor, olhando no espelho..)
O mais interessante e como os italianos em geral nao se contentam com o chuveirinho basico depois da ginastica. No banheiro masculino todo mundo usa roupoes novos; os espelhos estao sempre ocupados, com os caras usando o secador de cabelos que trouxeram de casa, passando gel no cabelo, ou apenas se olhando no espelho. Na area dos chuveiros, e ainda pior: ao lado de cada ducha tem um apoio pra sabonete e shampoo, mas eu sempre vejo 4 ou cinco potes e vidros ali. Os caras saem da ginastica parecendo que estao saindo de casa pra um casamento. Porque quando se trata de imagem pessoal, a Italia e a capital dos metrosexuais.
Mas o caso das mulheres e ainda pior: elas fazem ginastica e suam, mas tem sempre sua maquiagem. Ontem passou uma mulher muito bonita, uns 25-28 anos, do tipo 1.50 m e 45 kg, sabe? Se ventar desaparece. Ela carregava uma bolsa de viagem que, eu juro, era maior do que a que eu e a Liz levamos pra passar 5 dias em Napoles. Deus sabe o que ela tinha la dentro.
Pode ser um pouquinho mais curto no topo? Os melhores exemplos de diversidade cultural sao encontrados nas pequenas coisas do dia-a-dia. Falar italiano, comer pizza, tudo isso e facil (ou relativamente) para um estrangeiro; muito mais dificil e se fazer entender no barbeiro. E claro que estou falando isso porque ontem fui cortar o cabelo. Minha ultima vez havia sido no Brasil, em meados de Agosto. A Liz vinha me chamando de 'mullet man'.
O problema e que cortar o cabelo e uma coisa muito pessoal. Nao da pra ir a qualquer lugar: o cara esta segurando uma tesoura, ou uma maquina, voce esta ali preso, e o espelho na sua frente te lembra o tempo todo desta situacao indefesa. Enfim. Eu costumava cortar o cabelo perto do Vaticano, onde dois velhos barbeiros lutam contra o mal de Parkinson, enquanto falam mal do governo. Mas nao dava mais: e longe, tem sempre gente furando a fila, me enchi. Procurei aqui perto de casa - tem varios parruchieri, cabeleireros, mas isso eu nao quero: sao caros e cheios de frescura.
Ate que ontem, do onibus, eu vi a placa: Barbiere. Saltei com as compras na mao, fui ate la, e tive a visao que fez minha espera valer a pena: nenhum cliente, um cachorro basset deitado no sofa, a televisao ligada, e um cara com a maior pinta de cafajeste fumando e conversando com uma gorda que tambem fumava. Debaixo de um sinal enorme que dizia "vietato fumare". O problema e que na Italia, mesmo os barbeiros sao estilosos. Enquanto conversavamos ("sou do Brasil" "ah, voce ja esteve la?" "E, tem muita pobreza em Salvador" - nunca discorde do barbeiro). Eu reparei que ele estava usando a maquina ao redor da cabeca, mas o topo estav sendo negligenciado. Quando eu comentei, ele me acalmou, ja ia cuidar disso. Mas ai, quando ele finalmente chegou la, me deixou com um topete enorme. Nao pensei duas vezes: "Si puo fare piu corto, anche qua?" Ele ficou desapontado, estava todo orgulhoso de sua obra, ja estava preparando o gel fixante. Mas cortou.
Agora aqui estou eu, careca - ou quase. Se voce olhar de cima, ve nao so as falhas usuais, mas tambem ve, atraves do cabelo, a minha cabeca. A Liz adorou. Minha duvida e: como e que eu faco para que, na hora de dizer "basta cortar mais curto", nao ser entendido dizendo "inventa alguma coisa diferente"?
O artigo que eu estou escrevendo e uma tentativa de entender o fim do paganismo em Roma. O titulo eu ja tenho, e tambem tenho onde publicar (alias, ja estou atrasado). Minha ideia e que no final da antiguidade pagaos valorizaram ainda mais os aspectos antiquarios de sua religiao, e isso serviu de uma ponte para a definicao da relacao entre o paganismo e o na epoca hegemonico cristianismo. A ideia e estudar esse processo atraves de inscricoes, uma vez que o livro onde vou publicar reune as apresentacos em uma conferencia de epigrafistas da qual participei, em Abril desse ano, aqui em Roma.
Imagine estar lendo o blog do seu professor, e encontrar o seguinte post:
Wednesday, November 15, 2006
Lunch?
If any blog reader (especially ec 10 student) wants to have lunch with me today, please stop by my Harvard office (Littauer 223) at noon.
Uma igreja fascinante que visitamos em Napoles foi a de Santa Maria delle Anime del Purgatorio. A igreja (foto da fachada e do seculo XVII, e como quase toda igreja barroca, meio exagerada. O que ela tem de especial, no entanto, e que em alguns dias voce pode visitar os subterraneos, e ai sim a coisa esquenta (nos estivemos la na semana do dia de todos os santos, e de finados, entao estava aberta em horarios especiais).
Logo abaixo da Igreja existe uma outra igreja, de igual tamanho. Esta era usada para missas funebres, mas em algum momento (acho que no seculo XVIII), durante uma epidemia em Napoles, pessoas pobres foram enterradas neste espaco, fazendo com que ficasse quase todo cheio de esqueletos e cadaveres sem nenhuma identificacao, normalmente de pessoas muito pobres para um funeral apropriado. Como todo Napolitano e meio doido, as pessoas da cidade comecaram a "adotar" esqueletos: davam nomes, escreviam os nomes no cranio, inventavam estorias, biografias, personalidades, etc. Os mortos faziam a ligacao das pessoas com o alem, uma especie de intermediarios.
Este culto foi abolido no final do seculo XIX, segundo a Igreja, porque apenas o vaticano pode identificar santos, objetos de veneracao, e essa pratica consistia de idolatria. Coloquei aqui uma foto do detalhe da decoracao, cheia de caveiras. As pessoas ainda vao la para rezar, o culto continua, mas agora nao e mais aceito oficialmente. Seria espetacular encontrar um lestudo dessa pratica. Enfim, saindo de la, minha vontade foi de tomar um banho, mas em Napoles voce sempre esbarra nestas coisas meio macabras.
Achei esse video atraves da coluna do Ricardo Calil no No Minimo (aqui). Um video do Silvio Santos, nos anos 70, em um programa de perguntas e respostas com adolescentes. E muito engracado.
Po, o Felipe lembrou bem: o Costa! Ainda existe? Era minha pizzaria preferida, em Penedo! Isso me fez lembrar, estive em Napole - alias, e Napole, Napoles? - e nao escrevi nada! Bom, aqui vao alguns updates:
- a cidade e muito louca do barulho de verao. As ruas sao estreitas, os carros se jogam em cima de voce, as vespas passam em alta velocidade, ninguem respeita os sinais de transito. O lixo se acumula em todos os lugares. A prefeitura faz um bom servico, e sempre tira toda a sujeira, mas a noite da pra ver como tem gente porca nesse mundo. Para complicar, a coleta de lixo, assim como muita coisa, e controlada pela Camorra, a mafia Napolitana. Enfim...
- todo Napolitano tenta te amedrontar quando voce diz que vai pra la. Ao menos essa foi a nossa experiencia. Eu ainda tentei argumentar, que sou do Rio de Janeiro (tecnicamente uma mentira, mas vai explicar onde fica Resende...), mas o problema de Napoles e que a violencia la e endemica - alias, como no Rio de Janeiro, apesar de em escala menor. Na semana antes de irmos la, 6 pessoas foram mortas pela Camorra: veja bem, o numero de assassinatos deve ter sido maior, mas estas sao mortes causadas pela organizacao criminosa que controla a cidade.
- pra nao dizer que nao falei de flores: tem fotos de Napoles la no Flickr (aqui). Felipe, tem uma foto especial pra voce e pra mamae, bem aqui.
Este e o ultimo, eu prometo. Meu proximo post vai ser mais serio. Com voces, Pet Shop Boys e Dusty Springfield (o cabelo esta horrivel, mas a voz e espetacular!)
Deixa eu explicar: estou escrevendo um artigo sobre inscricoes votivas pagas, e isso esta exigindo um monte de leitura. Por isso, nao tenho tempo de atualizar esta bodega. Mas tenho tempo de ver antigos videoclips no You Tube - como esse aqui, do Eurythmics: